A dor em um tendão pode aparecer depois de um treino mais intenso ou até ao fazer movimentos que fazem parte da rotina. Embora muitas vezes seja associada simplesmente a uma inflamação, a tendinite envolve alterações mais complexas na estrutura do tendão e costuma estar relacionada à sobrecarga.
O que é tendinite?
Os tendões são estruturas que conectam os músculos aos ossos e transmitem a força necessária para produzir os movimentos. Quando recebem uma carga maior do que conseguem suportar, suas fibras podem sofrer microrrupturas e perder parte de sua organização.
Entre as regiões mais afetadas do corpo estão o tendão de Aquiles, na região posterior do tornozelo, o tendão patelar, próximo ao joelho, os tendões do manguito rotador, no ombro, além dos tendões do cotovelo e da região dos glúteos.
Nesse sentido, o ortopedista Sérgio Maurício afirma que tem sido adotado o termo “tendinopatia” para se referir a esse tipo de trauma, como forma de dissociar a condição de processos inflamatórios.
Por que a tendinopatia acontece?
O principal fator por trás do problema é o desequilíbrio entre a carga recebida e a capacidade do tendão de suportá-la. Isso pode acontecer quando a pessoa aumenta rapidamente o volume ou a intensidade dos exercícios, sem dar ao corpo tempo suficiente para se adaptar.
Além disso, a repetição dos mesmos movimentos também pode contribuir para a sobrecarga. Corredores, por exemplo, exigem bastante dos tendões de Aquiles, enquanto modalidades que envolvem saltos, como vôlei e basquete, aumentam a demanda sobre o tendão patelar. Esportes de raquete podem sobrecarregar os tendões do cotovelo, enquanto natação e modalidades que envolvem arremessos exigem bastante dos tendões dos ombros.
“Idade, excesso de peso, diabetes, aumento do colesterol e recuperação inadequada também podem aumentar o risco”, relata o especialista. Assim, a prática de atividade física é apenas um dos fatores que podem estar envolvidos no desenvolvimento da condição.
Como identificar os sinais?
A dor costuma ser o principal sinal de uma possível tendinopatia. Em geral, ela aparece de maneira relativamente localizada, acompanhando o trajeto do tendão afetado. Um padrão frequente é sentir mais incômodo no início do movimento, como ao levantar da cama ou começar uma corrida, com possível melhora após o corpo entrar em atividade.
No entanto, como esses sintomas também podem estar relacionados a outras condições, é importante observar sua evolução. Vale procurar um médico quando o incômodo dura vários dias, piora progressivamente ou começa a interferir nas atividades cotidianas. Alterações na forma de caminhar, correr ou trabalhar também merecem atenção, pois podem indicar que a dor já está afetando a mobilidade.
O que fazer para prevenir a tendinite?
A prevenção depende principalmente de uma progressão adequada da carga de treinamento. O tendão precisa de estímulos para se adaptar, mas esse processo acontece gradualmente, à medida que produz novas fibras de colágeno e aumenta sua capacidade de suportar esforços.
Alguns cuidados importantes incluem:
- Aumentar volume e intensidade dos exercícios de maneira gradual;
- Manter uma rotina de fortalecimento muscular;
- Respeitar períodos de recuperação entre os estímulos;
- Observar dores que persistem ou pioram ao longo dos treinos;
- Adaptar temporariamente a carga quando surgir algum sinal de sobrecarga.
O aquecimento e o alongamento também costumam ser associados à prevenção, mas o papel dessas práticas precisa ser compreendido com cuidado. “O aquecimento pode ser útil para preparar o corpo para o exercício, mas sozinho não previne tendinopatia. E existe outro mito bastante comum: não temos boas evidências científicas mostrando que fazer alongamento previna tendinopatia”, esclarece o profissional.
E quando a tendinite já apareceu?
Quando o tendão está dolorido, interromper completamente qualquer atividade nem sempre é a melhor estratégia. Por outro lado, manter a mesma carga que provocou a dor pode dificultar a recuperação.
O tratamento busca encontrar uma dose adequada de estímulo para que o tendão volte a se adaptar. “Tendão não gosta nem de excesso de carga nem de repouso absoluto. Ele gosta da carga certa, na dose certa”, finaliza Sérgio.
A partir disso, o acompanhamento profissional pode orientar os ajustes necessários no treinamento e na recuperação. Quando a dor persiste, piora ou interfere nas atividades do dia a dia, a avaliação de um ortopedista ajuda a definir a melhor estratégia.
