Em tempos de estímulos constantes e excesso de informação, encontrar formas de desacelerar pode fazer diferença na maneira como lidamos com o dia a dia. Nesse contexto, a meditação aparece como uma prática que ajuda a direcionar a atenção para o momento presente e observar pensamentos, sensações e emoções com mais consciência.

Para entender como a prática pode contribuir para o bem-estar, conversamos com a professora de Meditação do BTFIT, Luciana Carvalho, que também ajuda a desmistificar a ideia de que meditar significa simplesmente “ficar sentado em silêncio”.

O que acontece quando meditamos?

A meditação pode assumir diferentes formatos, mas muitas práticas têm em comum o treinamento da atenção. Ao concentrar-se na respiração, em uma sensação corporal, em um som ou em outro ponto de referência, a pessoa percebe quando a mente se dispersa e pode trazer a atenção de volta.

Esse processo parece simples, mas envolve o desafio que é perceber o que está acontecendo sem reagir automaticamente. Em vez de tentar controlar cada pensamento ou sensação, a proposta é desenvolver uma postura de observação.

É por esse perfil observacional que não existe uma única maneira de meditar. A prática pode ser realizada em diferentes posições e até durante movimentos. “Há infinitas maneiras de meditar, até mesmo dançando. O ideal é encontrar o seu estilo favorito e persistir nele”, explica a especialista.

Essa variedade também torna a meditação mais acessível. Não é necessário reproduzir uma postura específica ou alcançar um determinado estado mental para começar. O ponto central é criar um momento de atenção consciente.

Como esse treinamento pode ajudar a lidar com o estresse?

O estresse envolve uma resposta natural do organismo diante de situações percebidas como desafiadoras, e isso só se torna um problema quando fica frequente ou difícil de regular. Nesse cenário, a meditação pode atuar como uma ferramenta para desenvolver uma relação diferente com aquilo que provoca tensão.

Ao longo da prática, a pessoa se depara repetidamente com distrações, pensamentos e sensações desconfortáveis e aprende a reconhecê-los sem necessariamente segui-los. Essa capacidade de criar um espaço entre o que sentimos e a reação que damos pode ser útil também fora da meditação.

Ainda assim, para a profissional, “a meditação não faz com que a gente pare de sentir as coisas. É normal do ser humano sentir, mas ela nos ensina a não nos abalarmos pelas situações externas e que não podemos controlar”, destaca.

Como começar a meditar?

Uma das principais dificuldades para quem está começando é acreditar que precisa primeiro “acalmar a mente” para conseguir meditar. Na realidade, pensamentos e distrações fazem parte da prática. O exercício está em perceber quando a atenção se afastou e, quando possível, direcioná-la novamente.

Também não existe um tempo universal que determine quanto uma pessoa precisa meditar para obter benefícios. Diferentes estudos utilizam técnicas, frequências e durações variadas, e a regularidade pode ser mais viável do que estabelecer uma meta rígida de tempo.

De acordo com Luciana, o mais importante é que esse momento tenha significado para quem pratica: “A meditação é um período prolongado de concentração e não há um tempo mínimo ou máximo para meditar, o fundamental é ser um momento de encontro seu com você e geralmente esse encontro é extremamente satisfatório.”

Com o tempo, esse exercício de observação pode deixar de ser apenas um momento reservado do dia e passar a fazer parte da maneira como se lida com pensamentos, emoções e acontecimentos. A meditação, assim, não propõe controlar tudo o que sentimos, mas desenvolver mais consciência sobre como respondemos ao que acontece.

Aproveite as aulas ao vivo no aplicativo do BTFIT, às segundas, quartas e sextas, 06h45 da manhã.



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